Fonte: Correio do povo de Alagoas Raul Rodrigues
30/08/2010 16:13:00
Na semana passada escrevemos sobre em que votar em presidente e senador deixando como base as informações que dispomos dos candidatos aos aludidos cargos. Agora, falaremos sobre os candidatos ao governo do estado.
Esta semana estaremos discorrendo sobre os senhores candidatos ao governo do estado, sempre respeitando as informações que dispomos em nosso arquivo, via imprensa ou por conhecimento de causa.
São seis os candidatos postulantes ao cargo. Entretanto, é de domínio público, que apenas três têm verdadeiras chances de atingirem a vitória nas urnas. E é sobre estes nomes que centraremos o foco, não por discriminação, mas por respeito à opção feita pela maioria esmagadora do eleitorado alagoano. Narrar fatos não nos cabe penalidade!
Os três virtuais mais fortes nomes são: Teotônio Vilela Filho, Ronaldo Augusto Lessa Santos e Fernando Collor de Melo. Obedeceremos à ordem alfabética.
Fernando Collor → foi escolhido prefeito biônico da capital do estado nos idos do final dos anos 70, escolha feita em meio às oligarquias que dominavam o estado à época, sendo indicado, pelos mais influentes políticos do momento, Guilherme Palmeira, governador, Divaldo Suruagy, deputado federal e Arnon de Melo, senador e pai de Collor.
Sua passagem pela prefeitura municipal da capital teve a marca da dualidade de perfil. Bom para os apadrinhados do poder, os comissionados e contratados, que pertenciam ao nicho político dos seus indicadores e, péssimo, para a população que cobrava dos políticos, seriedade com a coisa pública, responsabilidade administrativa e liberdade para a escolha dos governantes em todos os níveis. Maioria absoluta dos maceioenses.
Obras marcantes: pavimentação de asfalto das áreas nobres de Maceió e construção do emissário submarino, que ficou por terminar.
Ainda embalado pelo empurrão dos poderosos da época, candidatou-se a deputado federal sendo eleito com grande votação em função da publicidade dada ao seu nome através do complexo de comunicação da família – Organizações Arnon de Melo – rádios Am e FM, além da primeira rede de TV do estado, a TV Gazeta de Alagoas. Uma verdadeira máquina de fazer votos.
Desempenho em Brasília: figura apagada quanto ao que se refere a trazer recursos para o estado.
Pegando carona na onda do PMDB, movimento que contaminou o país inteiro, candidatou-se a governador do estado, tendo saído dos partidos de direita de onde advinha ARENA e PDS, indo para o PMDB, elegendo-se com esmagadora votação contra Guilherme Palmeira, maior aliado do nascimento de Collor na política, depois do seu pai, Arnon de melo, claro. A criatura venceu seu criador! Gratidão zero!
Fez um governo tumultuado entre atitudes populistas, fechamento de órgãos e demissões de funcionários, se intitulando o caçador de marajás, jargão que o levou à renúncia do cargo de governador, para candidatar-se à presidência da republica, de onde saiu(renunciou) sob o pedido de impeachment deixando uma mancha para os alagoanos no Brasil inteiro, ainda hoje não apagada.
Qualificação maior: um fenômeno eleitoral; um desastre administrativo.
Ronaldo Augusto Lessa Santos→ engenheiro de formação, político de vocação, de origem pobre talvez razão pela qual se justifique tanta vontade em lutar para existir dentro da política, uma seara totalmente estranha à sua origem. Isto não é impedimento.
Iniciou sua vida política em Maceió onde foi reconhecido como uma nova liderança sendo eleito deputado estadual pelo PMDB, partido ao qual deixou de pertencer como quem troca de roupa, vindo à re-fundar o PSB, disputando o governo do estado em 1986, perdendo a eleição, mas ficando em terceiro lugar. Em 1992 foi eleito prefeito de Maceió, e, em 1996 fez Kátia Born sua sucessora que lhe serviu de base para chegar ao governo do estado.
Durante o primeiro mandato como governador de Alagoas, Lessa desenvolveu ações para recompor os serviços públicos e melhorar a qualidade de vida dos alagoanos. Combateu a mortalidade infantil, um dos maiores problemas do estado, o índice que era de 68 óbitos para cada grupo de mil crianças nascidas vivas, em 1998, foi reduzido, em 2004, para 29,1 por mil. Foi reeleito em 2002. Em fevereiro de 2005, filiou-se ao PDT.
Em 2006, renunciou ao cargo de governador de Alagoas para concorrer ao cargo de senador. Perdeu para Fernando Collor, eleito senador pelo PRTB.
Sob sua administração o estado não obteve grandes avanços nas áreas de emprego e renda, nem tão pouco reduziu a violência. Assaltos e sequestros relâmpagos na capital, Maceió, eram uma constante. Para o funcionalismo estadual foi marcante o número de greves e o aumento concedido por Lessa só veio a ser pago pelo próximo governo.
Qualificação maior: vive entre escândalos na justiça por conta de prestações contas.
Teotônio Vilela Filho: ingressou na política no vácuo deixado pelo senhor seu pai, Teotônio Vilela, o Menestrel das Alagoas, um dos maiores nomes da política alagoana. Homem de decisões fortes, deixou o partido governante durante a ditadura militar para se filiar ao PMDB, percorrendo todas as penitenciárias do Brasil, em busca de presos políticos para promover a redemocratização e anistia do país.
Téo se elegeu senador da república e por vários mandatos conseguiu recursos para o estado disponibilizando estes recursos para as cidades onde mantinha bom relacionamento com os prefeitos, fortalecendo assim as suas bases eleitorais.
Téo foi eleito governador em 2006 numa eleição marcada por denúncias de fraude e, surpreendendo a todos os alagoanos, uma vez que todas as pesquisas indicavam o seu adversário, o empresário e deputado federal João Lira, como virtual governador. Porém nunca se provou nada contra a vitória de Téo nas eleições de 2006.
Durante seu governo, Téo concentrou esforços para recuperar a imagem financeira do estado, que por conta de inadimplências, não podia conveniar com o governo federal, receber recursos ou similares, em hipótese alguma!
Feita a inclusão de Alagoas na lista dos bons pagadores, Vilela conseguiu no apagar das luzes do seu governo, trazer para o estado 42 novas empresas, gerando uma expectativa de mais de dez mil novos empregos diretos, reduziu expressivamente os índices da mortalidade infantil, aparelhou com mais de quatrocentas novas viaturas, as Polícias Militar e Civil, além de armamentos e munições às toneladas. A raiz da violência não está na quantidade de armamentos, munições ou viaturas, mas sem isto não chegaríamos a combater este mal, que se implantou por questões sociais e também pela fragilidade do sistema policial.
Não foi um grande amigo do funcionalismo público estadual, mas não os enganou com promessas ou aumentos que não pudessem ser pagos!
Qualificação maior: administrador responsável, mas com falhas em sua comunicação.
Agora é com você, eleitor!