O Globo; GloboNews TV
- O PSDB foi muito ético e fraterno. Disse que não estava em jogo a reivindicação por cargos nas comissões. Ele usaria esse expediente a partir do direito regimental que tem. Duas comissões e dois cargos na Mesa é um direito regimental deles e eles vão trabalhar por esse caminho democrático. Não fiz conchavos, acordo com ninguém. Estou em paz com relação a isso - disse. (
Ouça trecho da entrevista de Viana )
" Não fiz conchavos, acordo com ninguém. Estou em paz com relação a isso "

Sobre a disputa na Casa, Viana disse que hoje tem 39 votos "consistentes" e está muito otimista em derrotar Sarney. É preciso 41 votos para um candidato ser eleito presidente do Senado. O dia, nesta sexta, foi de recontagem de votos, guerra de informações e ameaças. Os aliados de Sarney garantiam mais de 50 dos 81 votos.
- Tenho sete partidos me apoiando: PT, PR, PDT, PRB, PSOL, PSB e PSDB. Isso soma 39 votos. Faltam apenas dois para fechar - contabiliza.
- O apoio do PSDB se associou a uma soma de sete partidos . E a condicionante (dos partidos) é fácil no meu caso que é a afirmação da renovação do poder legislativo, da independência e de ampliar a reforma administrativa. A sociedade quer um Senado renovado e em sintonia com o cidadão brasileiro. Estou animado. Não vejo ambiente de traição comigo. Claro que alguns podem fazer uma opção por outro partido, como tenho votos no PMDB, no DEM, no PTB.
O petista diz que não recebeu com surpresa o apoio do PSDB:
- Não. Foi com entusiasmo. Eu vinha conversando intensamente com o PSDB, com os dirigentes do partido, os senadores Arthur Virgilio, Sérgio Guerra e até o governador José Serra. E havia muita sensibilidade deles com os compromissos que eu apresentava, pautados especialmente na independência efetiva do Legislativo e na renovação da estrutura administrativa da Casa.
Viana disse ainda que nunca pensou em desistir da candidatura quando Sarney entrou na disputa e explicou porque a candidatura dele é, na sua opinião, diferente da do peemedebista.
- O senador Sarney foi presidente duas vezes, teve a maior influência nos últimos dez anos e o Senado é o que está aí. Queremos um Senado que reafirme sua independência. Não votamos a reforma tributária, a reforma política, que é um vetor moralizador. Queremos um parlamento que olhe para o Executivo e o Judiciário com personalidade política. A diferença é o que eu represento. Não tenho compromisso com erros do passado.
Em carta, Tião prometeu restrição às MPs
O apoio a Viana, quando tudo indicava que Sarney seria o escolhido da bancada tucana, saiu após uma reunião na noite de quinta-feira entre o presidente do partido, Sérgio Guerra (PE), o líder da bancada, Arthur Virgílio (AM) e o senador Tasso Jereissatti (CE). Uma das justificativas foi que o petista aceitou
a lista de reivindicações da bancada , enquanto Sarney não prometeu o mesmo.
Na carta compromisso que enviou na quarta-feira ao PSDB, Viana prometeu restringir as medidas provisórias e submeter ao Congresso todos os vetos presidenciais pendentes. Ao falar das MPs, ele ressalta que vai rejeitar "sumariamente" todas as que não atendam ao princípio constitucional de urgência e relevância, além de trabalhar pela alteração do rito dessas propostas.
"As medidas provisórias (...) acabaram fazendo a pauta do Executivo atropelar a prerrogativa do Poder Legislativo. Essa é uma situação limite que não pode continuar (...) É necessário impor o art. 49, inciso XI da Constituição e mais: construir nova regra constitucional que traga solução definitiva para este impasse, resguardando as prerrogativas do Poder Legislativo", promete Viana.
O senador do PT disse que vai usar o mesmo princípio da "superação" das MPs para analisar não só os vetos presidenciais, mas também as contas presidenciais:
"Tenho compromisso com o debate e votação em Plenário dos vetos presidenciais. E entendo que nenhum tipo de conta envolvendo recursos público pode ser tratada como tabu".